30/07/2018 - 11:17 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, os dados divulgados mostraram que o setor externo segue em situação favorável. Nos EUA, o PIB do segundo trimestre reforça robustez da atividade americana.

No Brasil, os dados do setor externo de junho mostraram saldo superavitário pelo quarto mês consecutivo. Segundo o Banco Central, o saldo em conta corrente ficou positivo em US$ 435 milhões, abaixo da nossa projeção (US$ 500 milhões), mas acima do mercado (US$ 250 milhões). Em 12 meses, o saldo acumulado está negativo em US$ 13,9 bilhões, ou –0,70% do PIB.  Na métrica de três meses com ajuste sazonal anualizado, o saldo está deficitário em US$ 19,6 bilhões. A balança comercial apresentou resultado positivo de US$ 5,5 bilhões, sendo que a conta de serviços ficou deficitária em US$ 3,1 bilhões.  O resultado foi influenciado pela paralisação no setor de transportes de cargas. Por sua vez, o fluxo de investimentos diretos (IDP) no país somou ingresso líquido de US$ 6,5 bilhões, acumulando saldo positivo de US$ 64,3 bilhões em 12 meses. A despeito da moderação observada no ano, o IDP continua sendo a principal fonte de financiamento do balanço de pagamentos. O fluxo para carteira de ações, títulos de renda fixa e fundos de investimentos domésticos, ficou negativo em US$ 3,1 bilhões, mas ainda mantém o superávit de US$ 2,3 bilhões em 12 meses. Em junho, houve saída de US$ 2,0 bilhões em renda variável e de US$ 1,1 bilhão em renda fixa. Por fim, a taxa de rolagem ficou em 74% no mês, abaixo da média de 87% no ano. Em resumo, mantemos nosso cenário de robustez dos números do setor externo. Projetamos um déficit em torno de  US$ 10 bilhões em 2018.

No âmbito fiscal, a arrecadação federal continua apresentando moderação do crescimento. A despeito da expansão real em relação a 2017, o ritmo vem perdendo vigor desde o início do ano. A arrecadação alcançou R$ 110,8 bilhões em junho, alta real de 2,0% contra junho de 2017. No acumulado do primeiro semestre, a arrecadação total somou R$ 714 bilhões, crescimento real anual de 6,9%. O resultado de junho incorpora o efeito da greve no setor de transportes de cargas com um mês de defasagem. O principal tributo afetado foi o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), ligado à atividade industrial. Nesse sentido, a arrecadação do tributo caiu 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda que o impacto da paralisação nacional tenha sido relevante, o efeito da desaceleração da economia também tem se refletido na perda do ritmo da arrecadação ao longo dos últimos meses. 

Além disso, os dados do setor de crédito de junho seguem em processo de retomada.  Os dados divulgados pelo Banco Central mostraram que o estoque de crédito subiu 1,7% contra o mesmo período do ano passado, alcançando o montante de R$ 3,13 trilhões. A participação em relação ao PIB passou de 46,7%, para 46,8%, dando seguimento à tendência de alta. O saldo de empréstimos para pessoa física mostrou expansão anual de 6,2%, enquanto para pessoas jurídicas houve retração de 3,1%. O crédito às empresas vem mostrando moderação no ritmo de queda. Em termos de taxa de inadimplência, prossegue a trajetória de redução para pessoa física de 3,6% para 3,5%. Os atrasos na pessoa jurídica passaram de 3,0% para 2,6% no mês. As taxas de juros dos empréstimos também apresentam queda no mês. Na modalidade para famílias, os juros alcançaram patamar de 31,0% a.a. (ante 31,4% .a.a. em maio) e de 15,5% a.a. (ante 15,8% a.a) para as empresas. Nosso cenário para o setor de crédito é de uma recuperação moderada em relação ao ano passado. A modalidade de crédito livre deve ser o principal vetor de retomada, enquanto o crédito direcionado deve mostrar queda ante 2017.

Nos EUA, a primeira prévia do PIB do segundo trimestre reforçou a dinâmica robusta da atividade no país. A economia americana mostrou expansão de 4,2% na margem anualizado, levemente acima das projeções (4,1%). Esse resultado representa uma aceleração em relação ao trimestre anterior, quando o PIB cresceu 2,2%. As vendas domésticas finais (consumo e investimentos) expandiram 3,9% no período. Consumo das famílias mostrou alta de 4,0% anualizado, com destaque para serviços com alta de 3,1%. Por sua vez, consumo de bens cresceu 5,9% na mesma base de comparação. A dinâmica positiva desse setor é reflexo do aquecimento do mercado de trabalho do país. Em termos de investimentos, destaque para o segmento no setor privado, com expansão de 3,1%. Os destaques foram o setor de estrutura e propriedade intelectual (alta de 4,6% e 1,6%, respectivamente). Por sua vez, as exportações líquidas contribuíram com 1,1% no crescimento do PIB. A nota mais negativa do resultado foi a queda dos estoques, que retirou 1,0 ponto percentual do crescimento. Essa dinâmica positiva da economia americana é confirmada também pelos pedidos de bens duráveis de junho. O dado mostrou expansão de 1,0% na margem, abaixo do projetado (3,0%). No entanto, o núcleo das entregas de bens (excluindo material de aviação e defesa) mostrou alta de 1,0%, superando as expectativas de 0,4%. No âmbito do setor de imóveis, os números têm mostrado moderação em linha com a alta de juros. As vendas de imóveis usados de junho foram de 5,38 milhões de unidades. O resultado representa uma queda de 0,6% na margem, após recuo de 0,7% em maio. Na mesma direção, as vendas de imóveis novos ficaram em 631 mil unidades, queda de 5,3% no mês. Em resumo, os dados de atividade corroboram a trajetória de normalização gradual dos juros pelo Fed (Banco Central dos EUA).   

Na Europa, não houve surpresas na reunião do Banco Central (BCE).  As principais taxas foram mantidas inalteradas, assim como, na avaliação de Mario Draghi (presidente do BCE), os juros deverão permanecer estáveis até o verão de 2019. Na visão dele, os riscos para atividade seguem balanceados, ainda que, os embates comerciais com os EUA permaneçam como incerteza no cenário. A inflação vem acelerando de acordo com o projetado, e a expectativa é que mantenha o comportamento benigno. Quanto ao processo de reinvestimento dos títulos públicos adquiridos pelo BCE nos últimos anos, Draghi fez questão de ressaltar que, até o momento, os membros do comitê não discutiram o assunto.

Na próxima semana, o destaque na agenda doméstica fica por conta da reunião do Copom. Nossa expectativa é que o Banco Central mantenha a taxa de juros estável em 6,5% ao ano, sem mudanças relevantes no comunicado. Outro destaque será o resultado da produção industrial de junho. O indicador deve mostrar alta de 14% na margem, recuperando o ritmo após o fim da paralisação nacional do setor de cargas, ocorrida no final de maio. Por fim, são aguardados os resultados do setor público de junho. Nos EUA, o foco é a decisão do Fed (Banco Central americano) na quarta-feira. A expectativa é que não haja mudanças nas taxas nesta reunião. Em termos de dados, o foco é o relatório de emprego de julho. Na Europa, destaque para o resultado do PIB da Zona do Euro do segundo trimestre. Além disso, será conhecida a decisão do Banco Central da Inglaterra na quinta-feira. O mercado espera que a autoridade monetária suba para 0,75% a.a. nesta reunião. Na Ásia, serão divulgados os PMIs industrial e do setor de serviços da China. Por fim, no Japão é aguardada a reunião do Banco Central (BoJ) na segunda-feira.   

 

 


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