24/07/2018 - 16:11 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, o IPCA-15 de julho ficou abaixo das expectativas do mercado. Nos EUA, os indicadores divulgados seguem sinalizando um desempenho robusto da atividade no país.

No Brasil, o IPCA-15 subiu 0,64% em julho, abaixo da nossa expectativa (0,74%) e do mercado (0,73%).  Em 12 meses, o indicador acelerou de 3,68% em junho, para 4,53% no mês. No que concerne aos desvios em relação ao que projetávamos, as surpresas baixistas vieram da menor contribuição dos grupos transportes e saúde. No primeiro grupo, o destaque foi a deflação dos preços dos combustíveis (-0,57%), em função da normalização do setor de transportes. No grupo saúde, a queda nos preços dos produtos farmacêuticos e óticos (-0,22%) e a menor inflação do plano de saúde (0,30%) contribuíram para a deflação do grupo. A inflação de alimentação no domicílio (0,74%) mostrou queda nos subitens in natura, como tubérculos, raízes, legumes e frutas. Por outro lado, os itens industrializados ainda estão pressionado e a normalização dos preços deverá ser mais lenta. A média dos núcleos subiu 0,51%, acumulando alta de 3,43% nos últimos 12 meses. O índice de dispersão (porcentagem de itens que apresentaram alta) ficou em 53%, após alcançar 65,5% em junho. Para o final do mês, projetamos alta de 0,27% do IPCA. De maneira geral, mantemos nosso cenário de inflação benigna ao longo do ano. Esperamos que os efeitos da paralisação do setor de transportes sobre os preços se dissipem ao longo dos próximos meses. Por outro lado, o impacto do câmbio sobre o IPCA deverá começar a se intensificar nos últimos trimestres do ano. Com isso, levando em consideração o efeito combinado de ambos movimentos, projetamos inflação de 4,0% em 2018.

Com relação à atividade, o indicador mensal de atividade do Banco Central (IBC-Br) mostrou queda de 3,3% em maio, pior do que as projeções. O dado veio abaixo da nossa expectativa (-2,9%) e do mercado (-2,4%). O resultado do mês reflete a paralisação do setor de transportes ocorrido no final de maio. A queda é a maior desde o início da série em 2003. Para junho, os indicadores divulgados até o momento sinalizam alguma devolução da queda ocorrida em maio. Por sua vez, a intensidade da recuperação ainda é incerta. Por um lado, os dados coincidentes da indústria indicam uma forte reversão. Mas, por outro lado, as vendas de veículos da Fenabrave mostram uma retomada mais modesta. Dessa forma, nossa projeção para o PIB do segundo trimestre é uma contração de 0,1%.

Nos EUA, os dados econômicos de junho reforçaram a dinâmica robusta da economia no segundo trimestre. As vendas no varejo de junho mostraram alta de 0,5% no mês, em linha com o esperado. Por sua vez, o núcleo de controle (exclui vendas de veículos, materiais de construção, gasolina e refeições) ficou estável na margem, abaixo do esperado. Na comparação anual, o núcleo das vendas mostrou alta de 4,9% em termos nominais. Na mesma direção das vendas no varejo, a produção industrial de junho cresceu 0,6% na margem, puxado pelo setor manufatureiro. A principal contribuição veio do setor de veículos automotores, que cresceu 7,8% no mês, após queda de 8,6% em maio, devido a problemas na cadeia de suprimentos. O setor de mineração também mostrou resultado positivo, com expansão de 1,2% na margem. Por fim, a pesquisa de sentimento do setor imobiliário (NAHB) ficou estável em 68 pontos, após ter alcançado 74 pontos em dezembro do ano passado. Essa moderação é explicada pela elevação das taxas de empréstimo do setor de imóveis, acompanhando o ciclo de alta de juros do Fed (Banco Central dos EUA).   Nesse contexto, Jerome Powell, presidente do Fed, auferiu discurso no Congresso americano nesta semana. Ele afirmou que, por ora, o melhor caminho a ser seguido é o de altas graduais da taxa de juros. O seu discurso seguiu o tom de suas últimas declarações, mas deixou claro que o ritmo pode mudar caso seja necessário. Nessa direção, projetamos duas altas adicionais nos juros até o final do ano.

Na Europa, as principais divulgações ficaram concentradas no Reino Unido. Os dados de mercado de trabalho mostraram dinâmica benigna. A taxa de desemprego ficou estável em 4,2% na média de três meses entre março e maio, conforme era esperado. Nesse contexto, ainda permanece um cenário favorável para o consumo. As vendas no varejo de junho cresceram 2,9% na comparação anual. O núcleo das vendas (exclui automóveis e combustíveis) expandiu 3,0% na mesma base de comparação. Por sua vez, a inflação ao consumidor de junho subiu 2,4% contra o mesmo período do ano passado, abaixo do esperado (2,6%).O núcleo da inflação ficou em 1,9%, após alta de 2,1% em maio. Em resumo, a atividade do Reino Unido tem mostrado sinais de moderação ordenada, com impacto limitado das negociações do Brexit.

Na China, os dados de junho corroboram o cenário de moderação da atividade. As vendas no varejo cresceram 9,0% na comparação anual em termos nominais. O indicador deflacionado mostrou uma expansão de 7,0% na mesma base de comparação. Por sua vez, os investimentos em ativos fixos cresceram 6,0% no acumulado do ano até junho na comparação anual.  Da mesma forma, os investimentos em residência mostraram claramente uma moderação, com expansão anual de 8,3%, após alta de 10,4% no primeiro trimestre. Nesse sentido, a produção industrial também segue a mesma trajetória de desaceleração. O setor mostrou crescimento de 6,0% contra o mesmo período do ano passado. Em maio, o indicador havia expandido 6,8%, o mesmo ritmo do primeiro trimestre. Assim, a economia chinesa parece estar seguindo o plano de moderação desejado pelo presidente Xi Jinping. No entanto, um dos principais riscos para esse cenário é de uma intensificação do embate comercial com os EUA. Até o momento, se todas as medidas tomadas por ambos os governos forem executadas, o impacto no PIB ainda parece ser limitado. Porém, se alcançar o montante de US$ 200 bilhões, como foi anunciado na semana passada, esse impacto deve alcançar maiores proporções. A despeito disso, acreditamos num cenário de negociações entre as duas maiores potências globais. Projetamos expansão de 6,5% para o PIB da China em 2018.

Na próxima semana, a divulgação dos dados de setor externo de junho será o destaque na agenda doméstica. Além disso, também serão conhecidos os números do setor de crédito e da arrecadação federal de junho. Nos EUA, o principal destaque é a primeira divulgação do PIB do segundo trimestre. A mediana das projeções do mercado sugere uma forte aceleração do crescimento da economia americana para 4,2%, de 2,0% no primeiro trimestre. Além disso, será conhecido o resultado dos pedidos de bens duráveis de junho. Na Europa, o destaque será a reunião do Banco Central Europeu na quinta-feira, na qual esperamos a manutenção das taxas de juros


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