26/06/2018 - 11:05 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, a atividade econômica surpreendeu favoravelmente em abril. No cenário global, o FED aumentou novamente a taxa de juros e sinalizou duas altas de juros adicionais em 2018.

No Brasil, a atividade econômica apresentou um crescimento favorável em abril. Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) realizada pelo IBGE , as vendas no varejo cresceram 1% na margem, acima da nossa expectativa (0,4%) e do mercado (0,6%). Na composição do indicador, as vendas nos supermercados (1%), eletrodomésticos e móveis (0,7%), e vendas de produtos farmacêuticos (1,5%) lideraram a alta do indicador. Ao incluirmos o desempenho das vendas de automóveis e material de construção, que expandiram 1,9% e 1,7% respectivamente, o indicador de vendas no varejo ampliado apresentou variação de 1,3%, acima da expectativa de 1,2%. A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), também realizada pelo IBGE, indicou expansão de 1% na margem da receita real de serviços em abril. Entre os setores, apenas o grupo de serviços de informação e comunicação apresentou queda da receita real (-1,6%). Levando também em consideração a expansão de 0,8% da produção industrial, conforme divulgado na semana passada, o indicador mensal de atividade do Banco Central (IBC-br) avançou 0,5%, após recuo de mesma magnitude no mês anterior. A média móvel trimestral do IBC-BR se mantém estável. De modo geral, os dados de comércio em abril foram favoráveis, mas o efeito da greve dos caminhoneiros deverá impactar negativamente os resultados em maio. Nesse sentido, após alta de 0,4% do PIB no primeiro trimestre, acreditamos que o PIB arrefeça para um patamar próximo de 0% no trimestre corrente. Para o ano, prevemos expansão de 1,8%.

Nos EUA, o FED elevou novamente a taxa de juros e sinalizou a continuidade do aperto monetário. O comitê de política monetária (FOMC) elevou a taxa de juros em 25 pontos base, para o intervalo de 1,75% a 2,0% ao ano, em linha com a expectativa do mercado. No comunicado após a reunião, o comitê descreveu como sólido o atual crescimento, ao invés de moderado como mencionado na decisão anterior. A respeito da dinâmica de salários, o comentário que qualificava o nível de salários como baixo foi excluído. Por outro lado, o trecho que mencionava o patamar da inflação como “simetricamente próximo à meta de 2%” foi mantido. No que concerne aos próximos passos da política monetária, a principal novidade ficou por conta da exclusão do comentário que a despeito da implementação de ajustes graduais na política monetária, a taxa de juros ainda deverá permanecer por algum tempo abaixo do seu nível de longo prazo. Nesse caso, o FED sinaliza que as condições atuais não prescrevem a necessidade de juros abaixo do neutro. Por fim, as projeções dos membros do comitê para a taxa terminal de juros nesse ano foi elevada, imputando duas altas adicionais no restante ano, ao invés de uma como divulgado na reunião de março. Para 2019, o cenário de três altas adicionais de juros foi mantido. A decisão do de junho confirma o nosso cenário de mais duas altas de juros em 2018, levando a taxa de juros para o intervalo entre 2,25% e 2,5% ao ano.

Na Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve o escopo da política monetária e anunciou a extensão do seu programa de compras de títulos. Conforme o esperado, o BCE manteve a taxa principal de juros em zero e a taxa de depósito negativa em 0,4% a.a. Já a taxa de empréstimos segue em 0,25% a.a. Quanto ao programa de compra de títulos, o BCE anunciou que após o encerramento em setembro do atual programa de compras (30 bilhões mensais de euros) fará um novo programa entre outubro e dezembro desse ano. Nesse novo programa, as compras serão reduzidas para 15 bilhões de euros ao mês. Apesar do anúncio ter ocorrido de forma antecipada (o mercado esperava o anúncio na reunião de julho), a extensão do programa e sua magnitude vieram em linha com a expectativa do mercado. Mais importante do que a extensão das compras, o comunicado contemplou a avaliação pelo BCE de que a taxa de juros será mantida nesse patamar até pelo menos o verão de 2019. No campo das projeções, o BCE revisou para baixo a expectativa de crescimento econômico e elevou as projeções de inflação. O presidente do BCE, Mario Draghi, fez questão de reforçar em seu discurso que apesar do avanço da inflação rumo à meta, fato que justifica a menor necessidade de estímulos, a região ainda tem necessidade de uma política monetária frouxa para a manutenção dessa convergência. Após a reunião, avaliamos que o BCE deverá elevar os juros apenas no último trimestre de 2019.  

No Japão, o Banco Central (BoJ) fez questão de pontuar que está em um ciclo de política monetária diferente do vigente nos EUA e Zona do Euro. Como amplamente esperado, a taxa de juros de curto prazo foi mantida em -0,1%, e a taxa de juros de longo prazo foi mantida em torno de 0,0% a.a. O programa de compras de títulos, por sua vez, também foi mantido em 80 trilhões de ienes ao ano. Embora tenha preservado a avaliação construtiva sobre o desempenho da atividade, o BoJ alterou marginalmente sua avaliação de inflação, ao destacar que a inflação deve permanecer em um intervalo entre 0,5% e 1%, ao invés de ‘em torno de 1%’ como descrito na reunião de abril. Em sua entrevista após a reunião, o presidente do BoJ, Haruhiko Kuroda, destacou que os diferentes estágios de política monetária entre EUA (elevando juros), Zona do Euro (redução dos estímulos) e Japão (continuidade dos estímulos) refletem os diferentes momentos do balanço entre atividade e inflação, mencionando que ainda é prematuro discutir a redução do estímulo monetário na economia japonesa. Nesse cenário, avaliamos que o BoJ não deverá alterar o escopo da política até o segundo semestre de 2019.    

Na China, os dados de atividade na China mostraram perda de força em maio. No mês, a produção industrial expandiu 6,8%, abaixo da expectativa do mercado e do crescimento de abril (ambas em 7%), com enfraquecimento tanto da indústria de transformação (veículos e eletrônicos), como da indústria ligada às commodities. As vendas no varejo exibiram uma desaceleração mais pronunciada. Após crescimento de 9,4% em abril, o indicador apresentou expansão de 8,5% em maio, abaixo da expectativa do mercado (9,6%). Nessa mesma direção, o investimento em ativo fixo (FAI) acumulou alta no ano de 6,1%, também abaixo da expectativa do mercado e do patamar de abril (ambas em 7%). Os dados mais fracos aumentam a probabilidade das autoridades chinesas afrouxarem adicionalmente as condições monetárias, tendo em vista a meta de crescimento de 6,5% para esse ano.

Na próxima semana, o destaque da agenda local será a reunião do Banco Central, para a qual esperamos a manutenção da Selic em 6,5% a.a. Ainda no Brasil teremos a divulgação do IPCA-15 de junho na quinta-feira. No calendário internacional, além da divulgação dos dados de confiança ao longo da semana nos EUA e Zona do Euro, teremos na quinta-feira a reunião do Banco Central da Inglaterra (BoE).



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