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28/05/2018 - 09:56 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, a prévia da inflação em maio apresentou surpresa baixista. No cenário global, o FED reafirmou seu cenário de alta gradual de juros.  

No Brasil, a prévia da inflação (IPCA-15) surpreendeu a expectativa do mercado. No mês de maio, o IPCA-15 apresentou variação de 0,14%, abaixo da nossa projeção e do mercado (ambas em 0,26%). Esse resultado também ficou abaixo do piso do intervalo de expectativa (0,20% - 0,47%). Em 12 meses, a inflação apresentou leve desaceleração, saindo de 2,8% para 2,7%, se mantendo abaixo do piso do intervalo da meta do Banco Central. No que concerne aos desvios em relação ao que projetávamos, as surpresas baixistas foram difusas. Destaque para as deflações mais intensas em alimentação fora de casa (-0,28%) e passagem aérea (-14,9%). Entre os itens que apresentaram uma aceleração da inflação, destaque para a alta de 0,76% no item de saúde e cuidados ocupacionais (reajuste nos preços dos medicamentos) e para a alta de 0,45% no item habitação (aumento das tarifas de energia). Quanto aos aspectos qualitativos do IPCA, a tendência foi de continuidade da moderação nos núcleos de inflação, enquanto a inflação de serviços apresentou deflação de 0,19% no mês. O índice de difusão ficou em 47,9%, permanecendo distante de sua média histórica (61,9%). Para a inflação fechada do mês de maio esperamos variação de 0,21%. 

O Banco Central divulgou a ata com as discussões que nortearam a decisão de manter a taxa de juros. Em linha com o comunicado emitido após reunião, a decisão de manter a Selic em 6,5% a.a (ao contrário do corte de 25 p.b esperado pelo mercado) decorreu em virtude da piora de sua avaliação sobre o balanço de riscos. A despeito da piora recente da percepção sobre a recuperação da atividade e do cenário benigno para a inflação, com as projeções para o IPCA ao redor de 4% (abaixo da meta do Banco Central), houve a deterioração na avaliação do balanço de riscos ocorreu em virtude do aumento da percepção de risco externo. Nesse sentido, o processo de normalização da política monetária em algumas economias avançadas aumentou da volatilidade global, produzindo um movimento de menor exposição em economias emergentes. Segundo o Banco Central, essa dinâmica aumentou o risco de convergência da inflação no cenário prospectivo, julgando adequado a manutenção da Selic em 6,5% a.a. Na ata, o Banco Central também fez questão de ressaltar que sua ação diante da depreciação cambial compete em avaliar o seu impacto secundário sobre a evolução dos preços. Diante do arrefecimento da atividade e da dinâmica benigna do IPCA, acreditamos que o Banco Central manterá a taxa Selic em 6,5% a.a até o final desse ano.

A nota do setor externo reforça o quadro de robustez no balanço de pagamentos. Em abril, o saldo em conta corrente foi superavitário em US$620 milhões, abaixo da expectativa de US$1,1 bilhões. Esse foi o terceiro mês consecutivo que a conta ficou em terreno positivo. Em 12 meses, o saldo é negativo em US$8,9 bilhões (-0,4% PIB). Em sua composição, a balança de bens foi superavitária em US$5,5 bilhões (US$62 bilhões em 12 meses), enquanto a conta de serviços apresentou déficit de US$2,7 bilhões (US$-34,8 bilhões em 12 meses). Dentro de serviços, notamos um dinâmica desfavorável das despesas líquidas com viagens, com aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2017. Na parte de renda primária, o saldo foi negativo em US$2,4 bilhões, levando o saldo em 12 meses para déficit de US$38,8 bilhões. Nessa rubrica, destaque para as remessas de lucros e dividendos que ficaram em US$1,2 bilhões em abril, acumulando saída de US$19 bilhões em 12 meses. Na conta financeira, o investimento direto no país (IDP) atingiu US$2,6 bilhões no mês, acumulando US$61,7 bilhões em 12 meses (3% do PIB). No que concerne ao fluxo de portfólio (Renda Fixa, Renda Variável e Fundos de Investimento), o resultado foi superavitário em US$ 5,4 bilhões, acumulando saldo de US$ 9 bilhões em 12 meses. Por fim, a taxa de rolagem ficou em 95% em abril. Os sucessivos superávits em conta corrente nesse início de ano confirmam o nosso cenário benigno para 2018, para o qual projetamos déficit em conta corrente de US$17,5 bilhões (0,9% do PIB).  

Nos EUA, o FED divulgou a ata da reunião na qual manteve a taxa de juros entre 1,5% a.a e 1,75% a.a. No mais recente comunicado, os membros do FED descreveram que a atividade segue com crescimento moderado, enquanto os últimos dados de emprego validam a avaliação de robustez na recuperação do mercado de trabalho. Na margem, os membros reconheceram que os gastos do consumidor moderaram recentemente por motivos temporários, sem modificar, portanto, a tese estrutural de crescimento robusto. Quanto aos impactos das discussões e possíveis mudanças nas relações comerciais dos EUA com os seus parceiros, os membros pontuaram que os impactos podem ser amplos, implicando em uma redução dos investimentos em bens de capital. Entretanto, o FED ressaltou que esses são riscos com baixa probabilidade de ocorrência e que não impactam até o momento o cenário de crescimento acima da tendência. Em linha com o comunicado após a reunião, o FED mencionou que a inflação se encontra próxima da meta de 2%, com participantes aumentando o nível de confiança a respeito da dinâmica  de convergência sustentável da inflação para a meta. Ainda no campo da inflação, após alguns anos de variação abaixo da meta, os membros reconheceram que seria benéfico que a inflação no curto prazo fique acima da meta para o alcance de objetivos do FED no longo prazo. Sobre os próximos passos da política monetária no país, os participantes sustentam como apropriado a continuidade do aperto monetário de forma gradual, caso o cenário evolua dentro do esperado. De modo geral, a ata reafirma o nosso cenário de três altas adicionais pelo FED nesse ano.

Na Zona do Euro, os indicadores de confiança mantiveram a tendência de desaceleração. A prévia do PMI da indústria em maio ficou em 55,5 pontos, nível abaixo do registrado em abril (56,2) e da expectativa do mercado (56,1). O PMI de serviços, por sua vez, cedeu 0,8 p.p em relação ao patamar de abril, ficando em 53,9 pontos. O mercado esperava que o índice permanecesse em 54,7 pontos. No indicador composto tivemos uma desaceleração de 55,1 pontos para 54,1 pontos. Ao analisarmos a abertura por país, notamos que o recuo foi liderado por França e Alemanha, com recuos de 2,4 p.p e 1,5 p.p no indicador composto de atividade, respectivamente.  A ocorrência de greves e um número maior de feriados podem ter prejudicado a leitura do indicador em maio. Até o momento, a média do PMI composto no segundo trimestre é de 54,6. No primeiro trimestre, a média do indicador ficou em 57 pontos. A continuidade da piora da confiança na região, indicando que a atividade está crescendo abaixo do seu potencial nesse primeiro semestre de 2018, implica na postergação do fim do programa de estímulos pelo BCE, até então programado para setembro. Ao contrário do esperado anteriormente, o BCE deverá prorrogar seus estímulos até o final desse ano. 

Na próxima semana, a agenda de indicadores do Brasil contempla a divulgação de indicadores de atividade, fiscal e crédito. Na segunda-feira, o Banco Central divulga a nota de crédito para o mês de abril, e na terça-feira o IBGE mostra os resultados da PNAD contínua (taxa de desemprego) de abril. O grande destaque, no entanto, fica por conta da divulgação do PIB do primeiro trimestre na quarta-feira, para o qual esperamos crescimento de 0,2%. Nos indicadores internacionais, destaque para os dados de confiança na China e para o relatório de emprego dos EUA (maio).



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